Gospel Reflections

TRINTA E PRIMEIRO DOMINGO DO TEMPO COMUM

Lucas 19:1-10

Sunday Gospel Reflection by Irmã Jane Dwyer

Published: October 30, 2016


A história do Evangelho de hoje vem depois de uma série de reflexões sobre o perigo da riqueza, ou talvez melhor, aquilo que a riqueza e a procura da riqueza faz com a gente. O homem rico (Lc 18, 18-23) procurava herdar a vida eterna. Ele era e fazia de tudo que a velha lei exigia. Ele era “bom.” Desde a sua juventude tinha obedecido aos mandamentos. Reconhecia a bondade de Jesus. Chamava de Jesus de “bom” Mestre. E Jesus? Jesus comentava que só Deus é bom. Ele se aproximava do homem do jeito que ele era, relacionando do jeito que o homem parecia querer. Mas nunca chamava o homem pelo nome. Houve sim uma conversa entre os dois, mas não aconteceu um encontro. O homem esperava uma resposta bem diferente daquela que lhe deu o “bom” Mestre. Ele entendeu que pelo seu bom comportamento conforme a lei, ele merecia a vida eterna; a vida eterna era  sua herança por direito. Mas saiu triste da presença de Jesus, “pois era muito rico.” Ele obedecia, ele não pecava...mas faltava alguma coisa; de alguma coisa importante ele estava carente.

E hoje o evangelho apresenta Zaqueu, tudo que a velha lei, os fariseus e até o povo condenavam. Também muito rico e chefe dos cobradores de imposto, odiado pelo povo e com razão. Mas diferente do homem rico, neste encontro com Jesus, Zaqueu acha a felicidade e seu lugar e herança como filho de Abraão.  Ele, Zaqueu,  que roubava, enganava  e se enricava a custo dos outros! Na luz de sua história de vida, não era de esperar este final feliz para Zaqueu. Devia ter sido a experiência do outro homem rico, o homem bom.  

Zaqueu era um homem apaixonado. Enricava com paixão e se desfez da mesma riqueza com a mesma paixão. Ele era um homem que ia atrás daquilo que chamava a atenção dele. Zaqueu  queria ver quem era Jesus, encontrar com ele. Zaqueu  queria ver Jesus no meio do povo. Ele queria ver Jesus de perto, sentir sua pessoa, sua presença, seu jeito de ser.  Mas Jesus se achava no meio de uma multidão pobre e barulhenta. Quem queria  encontrar com Jesus tinha que se jogar no meio da multidão, se sujar, se arriscar. Como a multidão o abafava, pois ele era baixinho, Zaqueu correu para frente e subiu numa árvore, seguro que Jesus ia passar por ali. E Jesus não só passou. Ele parou. Ele olhou para cima e do meio da multidão chamou Zaqueu por nome. Pediu hospedagem na sua casa. Precisava ficar na casa de Zaqueu. Zaqueu não hesitou. Desceu logo da árvore, acolhendo Jesus com alegria. Os dois, Zaqueu e Jesus se encontraram cada um com seu nome e seu jeito de ser. Zaqueu se arriscou; se jogou no meio do povo que com razão tinha raiva dele. Mas o desejo de conhecer Jesus superou o possível desgosto, crítica e humilhação até merecida que ele poderia passar no meio do povo.  Foi um encontro de graça! - uma procura na parte dos dois que incluiu todos ao redor. E por isso deu certo. O que parecia impossível aconteceu. Zaqueu no meio do povo se deixou ser chamado e transformado. Deixou-se ser vulnerável diante dos que ele oprimia. Humilhou-se e abriu sua casa e seu coração. Abriu até os cofres e partilhou muito mais que só sua riqueza.   

Diante do texto do homem rico e a nossa realidade de hoje, a  história de Zaqueu deixa mais pergunta e questionamento do que resposta. Por que o homem rico não tem nome, enquanto o pecador tem nome até gritado por Jesus no meio do povo? O que é mesmo “bondade.” Quem realmente é bom? O que impede uma pessoa boa de agir, de abrir sua casa e cofre em favor dos outros para seguir Jesus, enquanto um homem, conhecido pecador, abandona tudo e segue? O homem rico procurou  Jesus com expectativas, a fim de alguma coisa. Zaqueu queria simplesmente ver, conhecer, encontrar e abraçar Jesus. As expectativas do homem rico foram baseadas numa formação religiosa que ele seguia fielmente  desde a juventude. Na hora mais importante de sua vida, porém, esta formação o traiu. Não o deixou se abrir ao Espírito e abraçar a presença libertadora de Jesus. Zaqueu, porém, com toda sua história de fraude e roubo, procurou a presença de Jesus, se abriu àquela presença desafiadora e se libertou. O evangelho nos desafia. O verdadeiro encontro  com Jesus transforma a gente, faz a gente se tornar cada vez mais o próprio Jesus. Como diz o canto: “faz a gente fazer o que Jesus faz; ver do jeito que  ele vê; falar o que ele fala.” Que a experiência de paixão, liberdade e amor de Zaqueu seja também a nossa.

« View all Gospel Reflections