Gospel Reflections

14th Sunday of Ordinary Time

Mark 6:1-6

Sunday Gospel Reflection by Irmã Jane Dwyer

Published: July 05, 2015


O Evangelho de hoje nos traz uma contradição perturbadora. O texto fala que Jesus é rejeitado não só pelas potências romanas e judaicas, mas por seus próprios parentes. E não é a primeira vez. Em Marcos 3, 20-21 o texto diz que seus parentes declaram que ele está "fora de si." Jesus voltou a Nazaré depois de um turbilhão de curas, reflexões inquietantes embora simples no meio do povo, proezas incríveis controlando tempestades e ventos, bem como confrontos com os poderes locais do templo. A palavra já circula entre os poderosos que ele é um blasfemo e de acordo com a lei deve morrer. Jesus chega a casa com seus discípulos e reza na sinagoga no sábado. Suas palavras exatas e reflexões não sabemos, mas sim, as reações de seus "parentes." Por que estes “parentes” são afrontados com a sua sabedoria? Por que um carpinteiro cujas mãos e coração fazem milagres com madeira, não pode fazer outros milagres com essas mesmas mãos e coração? O que existe na volta de Jesus para casa e seu jeito de ser que escandaliza a ponto de rejeição? Quem são os parentes que rejeitam Jesus, que se ofendem com ele: a mãe dele, seus "irmãos e primos" que estavam entre os discípulos, João Batista? Se não aqueles que andavam com ele, quem eram os "outros parentes?" E por que eles estavam tão irritados, rejeitando-o de vez? É revelador que um simples carpinteiro com doze pescadores não escolarizados poderia criar esse impacto, gerar tanta raiva e resistência tão rapidamente. E mais uma vez, por quê? Sua mensagem ecoou nos corações e a experiência vivida de seu povo. Eles se reuniram em torno dele. Quem está no poder, ou na esperança de poder, temem por seu futuro.

Nós vivemos e trabalhamos no meio das comunidades rurais e agrícolas na região amazônica, no norte do Brasil. As comunidades aqui não são cheias de conflito e rejeição umas das outras. Nossa experiência é que os pobres precisam uns dos outros, dependem uns dos outros, estão ansiosos para crescerem juntos com seus amigos e vizinhos. A partilha de sua sabedoria, ganha com sangue e suor, é um meio de sobrevivência comunitária. As famílias das comunidades da agricultura familiar são comunitárias, por natureza, e por necessidade. Sozinhas, elas morrem. A medicina convencional em suas várias formas, é de acesso difícil para estas famílias. No entanto, as pessoas, sendo de raízes indígenas e africanas, conhecem a floresta e suas incríveis forças farmacêuticas. Chás, xaropes e vários medicamentos à base de plantas naturais aparecem quando necessário, e estes remédios caseiros com visitas constantes cheios de preocupação e conselhos. Como comércios locais raramente existem na área rural, a comunidade é onde os empréstimos e a partilha acontecem normal e naturalmente. Quando exageros ou exploração parecem estar ocorrendo, a comunidade tem maneiras de lidar, sem ruptura e condenação. As comunidades também se organizam para ajudar uma a outra quando as famílias por causa de doenças ou outras dificuldades não conseguem capinar ou colher suas roças no tempo da colheita. Um dia juntos no campo é uma oportunidade bem-vinda para conversar, colher notícias e simplesmente estarem juntos, trabalhando e comendo. Essa aí é o sentido da vida do povo. Há uma clareza comunitária sobre quais são os elementos essenciais para uma vida bem vivida, mesmo para os pobres. As escolas, as estradas, a energia elétrica, a assistência técnica são obtidas através da pressão pública organizada da comunidade. Sua força está em sua organização, capacidade de diálogo, priorizando as questões mais importantes e a união.

Quando há rejeição nas comunidades é porque o povo sente que foi traído. Um comportamento orgulhoso, arrogante e enganoso isola, assim como estilos autoritários e ditatoriais de liderança. Explorando os outros, destruindo a unidade familiar, diminuindo ou menosprezando membros da comunidade não é tolerado. Os valores reverenciados e promovidos são a partilha, a solidariedade, a compaixão, celebrando juntos, a ajuda mútua, como também a vivência das prioridades da comunidade, de tal forma que se sabe quais as questões e dificuldades de que se pode abrir mão e sim aquelas que tem que ser tratadas.

As comunidades rurais e urbanas periféricas hoje parecem muito semelhantes àquelas comunidades nos textos evangélicos. Suas realidades foram semelhantes: a opressão, a repressão, a concentração da terra e da riqueza, "autoridades" tirânicas e corruptas nas instituições políticas, econômicas e religiosas. Em nome da "paz e justiça," os pobres são oprimidos, menosprezados, intocáveis, ignorantes, impuros. No entanto, esses pobres continuam a sobreviver. Jesus diz que eles iriam sobreviver. E quem sobrevive diz Jesus, é a família (Mc 3, 31-35), aquelas que aceitam, vivem e são abertas a vontade de Deus, a mensagem de Deus; aquelas que entendem profundamente que a paz e a justiça não é uma questão de ganhar ou perder, mas sim acreditando, se abrindo ao outro, compartilhando o que somos e tudo o que temos.

Quem ouve, pondera e vive a palavra de Deus é a sua família. Quem rejeita não é. O que acontece neste Evangelho é o que acontece hoje entre os pobres e aqueles que andam com e vivem entre os pobres. As pessoas que vivem nas comunidades eclesiais de base ameaçam os poderes constituídos. Sua maneira de ser, de viver e andar um com o outro revela a tirania, a corrupção, as mentiras e o abuso de poder em torno deles. Estas "autoridades poderosas" quando se apresentam como "aplaudindo e querendo levantar" as lideranças locais, acima de tudo destruir a fé do povo em seus próprios líderes, em si mesmo e em seu jeito de viver. As pessoas nessas comunidades são livres e acolhedoras; não são facilmente intimidadas ou enganadas. Elas sabem pela fé e pela experiência que os milagres com madeira, terra, alimentação, doença, sobrevivência, direitos e dignidade humana, a vida familiar e comunitária continuam a acontecer através de suas mãos e seus corações comunitários.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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