Gospel Reflections

13º DOMINGO COMUM

Luke 9:51-62

Sunday Gospel Reflection by Irmã Jane Dwyer

Published: June 26, 2016

Read Luke 9:51-62

When the days for Jesus’ being taken up were fulfilled, he resolutely determined to journey to Jerusalem, and he sent messengers ahead of him. Read More…


O Evangelho de hoje nos coloca na pele dos povos marginalizados, excluídos, empobrecidos, e desprezados: os camponeses que lutam por um pedaço de terra, os imigrantes da Síria, África, América Latina, os povos indígenas e quilombolas, o povo abandonado da rua e tantos outros que passam na televisão, nos jornais e em nossa rua cada dia. Este povo vive ameaçado e violentado. É uma vida que não escolheu. Mesmo assim são tantos que encaram  a procura de uma vida melhor, enfrentando ameaças e riscos inimagináveis. E são muitos cujas vidas são ceifadas nesta procura.

Jesus hoje se coloca no caminho para Jerusalém. O caminho escolhido passa pela Samaria. O povo samaritano não acolhe Jerusalém, lugar de morte, rejeição, violência e perseguição. Os discípulos reagem, querendo castigar e se vingar. Jesus os repreende. Os Samaritanos têm razão. Jerusalém  não o acolhe, pois os poderosos o consideram perigoso, uma ameaça.  
Jesus então escolha outro caminho. Aparecem  possíveis discípulos querendo o seguir. A vontade existe, mas o compromisso e a coragem faltam. Jesus, porem, não condena. Simplesmente continua seu caminho. Ele não procura a incompreensão, a rejeição, a perseguição.  Mas assume esta realidade como consequência da vida que escolheu, da  convivência com o povo jogado na miséria, na violência, na marginalização, na exclusão. Ele não quer o sofrimento para ele e muito menos para os outros e as outras. A razão de sua vida é combater este sofrimento construindo junto com o povo o reino de Deus, onde se vive na comunhão, na partilha, na solidariedade, onde se constrói  juntos uma vida plena e abundante.

Mas Jesus não se iluda. Ele caminha e vive no meio do povo.  Junto com este povo ele vive nas margens, se rodeia dos excluídos, das desprezadas e dos  marginalizados. Ele acredita neste povo. Vive o que fala e fala o que vive. É perigoso buscar uma vida digna e justa para os últimos e as últimas. Só o gesto de reconhecê-los e tratá-los como pessoas de valor ameaça e desmascara as estruturas do poder. Provoca perseguição, pois coloca o projeto do reino de Deus diante do reino do poder, do consumo, do dinheiro, da escravidão. Provoca uma escolha entre a vida ou a morte de humanidade e o planeta inteiro...

Jesus não corre atrás da morte, mas tampouco se esquiva desta morte.  Ele não foge diante das ameaças, mas também não muda uma palavra de sua mensagem, não a suaviza e muito menos a dilui.  Evitar a morte teria sido fácil.  Era só se calar, mudar seu jeito de caminhar e os grupos com quem se associava.  Era  só atualizar seu jeito de ser,  se conformando e  se atualizando com a realidade do seu tempo. Jesus prefere arriscar a vida a trair a sua missão, a missão que escolheu e viveu. Então Jesus coloca seu pé na estrada e não olha para trás. Ele age e assume a realidade como consequência de sua própria vida. Ele não teologiza e nem romantiza. Não faz manchetes, nem se solta em discursos políticos. Ele simplesmente continua seu caminho. Quem o segue enfrenta o mesmo perigo, as mesmas ameaças, a mesma perseguição, as mesmas tentações.

Seguir Jesus hoje, viver seu Evangelho, significa viver nosso dia a dia num clima de insegurança e confronto, se ver exposto continuamente à criminalização e rejeição. É assumir junto com os empobrecidos, as marginalizadas, os escravizados, as excluídas  sua procura comunitária para uma vida melhor, uma vida sem tanto conflito, violência, guerra, exclusão e rejeição. É uma vida que derruba muros, e constrói pontes; uma vida onde a compaixão e a solidariedade significam  uma humilde participação na caminhada dos que o mundo isola e despreza. É dar as mãos hoje para poder construir e viver juntos uma vida diferente agora. É se colocar no meio destes povos, vivendo com eles o drama de suas vidas e suas procuras, arriscando  a se tornar excluída, desprezada e criminosa como os/as que defendemos. Como Dom Helder Câmara coloca com tanta clareza: “Se der pão aos pobres, todos me chama de sento. Se mostrar porque os pobres não tem pão, me chama de comunista e subversivo.” Que tenhamos a fé para viver esta verdade como Jesus a viveu e hoje ainda vive através de nós.

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